ENTRE ANJOS E DEMÔNIOS (quando o futebol nos ensina)
Luís Fernando Veríssimo está salvo, poderá repactuar seu credo em relação à humanidade a partir dos acontecimentos do último fim de semana. É claro, que as coisas não aconteceram como ele gostaria o pacto proposto na sua coluna de Domingo no jornal Zero Hora (quando afirmava que sua crença na humanidade tomaria um novo fôlego, na medida em que, o Grêmio derrotasse o Flamengo no jogo dominical) exigia do nosso Grêmio mais do que uma postura ética, mas a traição à sua própria essência – Grêmio e Inter não existiriam um sem o outro, assim como Yang e Yin, Esquerda e Direita, Paz e Guerra, Inferno e Céu, e todos os antagonismos que permeiam, torturam e impulsionam dialeticamente a humanidade em busca da inalcançável perfeição.
Veríssimo transbordou em emoção o seu coração colorado, e confundiu seu raciocínio, mormente certeiro e cativante por desnudar a condição humana de forma brilhante a se jogar numa hipótese desesperada de que o Grêmio pudesse se dedicar com todo o ímpeto, todo o desejo e toda a sua capacidade numa vitória irrelevante. Com certeza não esperava o pior, um Grêmio lutador, aguerrido e bravo, brigando os noventa minutos pela vitória com seus heróicos reservas que honraram a camisa tricolor e a história de façanhas de um time do extremo meridional do Brasil que colhe a admiração do mundo inteiro. Mas que perdeu, não por que facilitou a vida de seu adversário, e sim, pelo destino imprevisível de qualquer competição séria. Ah se aquela bola entra no final do segundo tempo!!!
O jogo determinante da Copa do Brasil entre Flamengo e Grêmio serviu de assunto pela semana inteira na crônica esportiva. Foram inúmeras especulações e acusações. A direção do Grêmio, com a qual não tenho afinidade alguma, está de parabéns por tomar a decisão correta neste contexto dificílimo. Primeiro retirar da disputa seus principais jogadores, uma vez que, a partida não continha interesse algum para o time, e pior, poderia ser decisiva ao nosso principal inimigo (isto mesmo, inimigo). Segundo, independente destas questões, orientar ao seu time que fizesse o melhor, buscar a vitória, e como já foi dito, honrar a camisa tricolor.
O debate havido nesta peleja futebolística nos ensinou muito. Foi um debate sobre ética, tão importante para a sociedade brasileira. O meu querido Grêmio, deu uma aula neste final de semana, espero que todos nós tenhamos aprendido – de que os fins não justificam os meios – e de que as derrotas e vitórias só podem ser medidas, a contento, na sua perspectiva histórica – e como disse ao meu amor – gremista dos quatro costados e, portanto (segundo ela) anticolorada, o melhor para nós seria ter vencido e ter o sabor de conviver com o silêncio ou o agradecimento dos nossos inimigos por durante longos e saborosos 365 dias de 2010. Aaahhh!!! Se a aquela bola tivesse entrado.
A torcida gremista estava e está errada, as manifestações contra os nossos heróis do Maracanã é completamente descabida e contribui para o tortuoso estigma fascista a que estamos submetidos pelas ações temerárias de alguns dos nossos membros. Nós Gremistas, sempre devemos torcer pela vitória do nosso time, a qualquer momento e sobre qualquer situação. O contrário é aceitar o jogo do imponderável em que tudo é permitido e possível, acabando com a alegria honesta do futebol. É aceitar uma realidade em que o peso tenha muitas medidas e que fatalmente o que se planta se colherá no futuro, destruindo como uma das nossas maiores alegrias, vermos as coisas acontecerem dentro do campo e não nos gabinetes.
Entre anjos e demônios, prefiro a magia da bola, acima dos nossos interesses mundanos, a designar o destino dos nossos corações exasperados.
E com o Grêmio onde o Grêmio estiver...
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